Parte aérea de Erva botão _ Eclipta alba - Peso 25g
- Uso popular: Limpeza do organismo quando intoxicado por alimentos, álcool ou remédios. Externamente, em machucados e doenças de pele.
Erva Botão - Eclipta alba
A erva botão, também conhecida como agrião-do-brejo, erva-de-botão, lanceta, zangara ou false daisy, é uma planta herbácea anual da família Asteraceae, nativa de regiões tropicais e subtropicais das Américas, Ásia e Austrália. Cresce espontaneamente em todo o Brasil, especialmente em ambientes úmidos, beiras de canteiros, hortas e terrenos perturbados, sendo considerada uma planta ruderal.
Atinge de 30 a 80 cm de altura, com caule arroxeado e pubescente, folhas opostas e flores brancas delicadas. É uma das principais plantas da medicina ayurvédica indiana, onde é conhecida como Bhringaraja, e também tem uso milenar na medicina tradicional chinesa. Apesar de sua aparência discreta, carrega um repertório terapêutico notável e uma toxicidade praticamente nula nas doses tradicionais.
INDICAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
A erva botão é reconhecida pela Farmacopeia Brasileira e também consta na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (RENISUS), sendo uma das plantas com potencial de gerar produtos de interesse para a atenção básica.
Do ponto de vista fitoquímico, as partes aéreas da erva botão concentram uma diversidade de compostos bioativos. Seus principais constituintes ativos são os cumestanos wedelolactona e demetilwedelolactona, encontrados em maior concentração nas folhas e nos talos. Estudos de perfil fitoquímico identificaram ainda a presença de 17 constituintes principais nas folhas, incluindo compostos como n-undecano e derivados de ácido carboxílico.
Essa composição confere à erva botão um amplo espectro de atividades farmacológicas, que justificam seu uso tradicional em diversas culturas. Pesquisas confirmam suas propriedades hepatoprotetora, anti-inflamatória, analgésica, antiviral, antiofídica, antioxidante, antiasmática, depurativa, adstringente, cicatrizante e imunoestimulante. Estudos também apontam atividades nootrópica, neuroprotetora e moduladora do sistema nervoso.
No sistema cardiovascular, a erva botão atua reduzindo a intensidade dos batimentos cardíacos nos casos de aceleração do coração e diminuindo a força de contração cardíaca, o que reduz o fluxo de sangue circulante. Por isso, é indicada em quadros de hipertensão e taquicardia, mas deve ser evitada em casos de bradicardia ou hipotensão.
Seu efeito diurético contribui para a eliminação de sódio, auxiliando especialmente nos casos de hipertensão derivada da obesidade. Estudos demonstraram que o extrato aquoso da planta possui efeito anti-hipertensivo significativo, com redução da pressão arterial sistólica e diastólica.
Na área neurológica, a erva botão age na prevenção de isquemia (lesão neurológica) e na recuperação de acidentes vasculares. Em estudos relacionados ao Alzheimer, a planta demonstrou capacidade de aumentar o neurotransmissor acetilcolina, responsável pelas conexões neurológicas da memória e de novos aprendizados, ao mesmo tempo que reduz a ação da acetilcolinesterase, a enzima que destrói a acetilcolina. Também inibe danos oxidativos cerebrais, contribuindo para a proteção neuronal. Revisões científicas destacam seu potencial neurofarmacológico no contexto de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.
A erva botão absorve raios ultravioleta tanto UVA quanto UVB, inibindo a ação do câncer de pele, e possui excelente ação antioxidante. Nas reações exageradas do organismo, atua inibindo reações anafiláticas. Estudos demonstram que seus extratos possuem potente atividade antioxidante.
No metabolismo lipídico, a planta diminui significativamente os níveis de colesterol e reduz as chances de doenças coronarianas como a aterosclerose. Estudos também indicam atividade hipoglicemiante, com redução das taxas de glicemia e da hemoglobina glicada, além de aumentar a quebra de alguns açúcares complexos em glicose.
A ação hepatoprotetora da erva botão é uma das mais estudadas e valorizadas. A planta é muito indicada nos casos de intoxicação hepática, por ajudar na preservação das funções e estruturas do fígado, estimulando sua regeneração. Isso inclui casos de cirrose e hepatite, promovendo uma limpeza no organismo quando intoxicado por alimentos, álcool ou remédios. A intoxicação causada pelo antibiótico gentamicina e pelo paracetamol pode ser tratada com a erva botão para a recuperação das atividades renais e regeneração das funções hepáticas.
Outra indicação importante é na osteoporose. A erva botão estimula a produção de osteoblastos, as células que produzem os ossos, e diminui a atividade dos osteoclastos, as células que retiram o cálcio dos ossos.
A planta também tem boa atividade em queixas de úlceras ou gastrites nervosas, atuando como antibacteriana e anti-inflamatória, protegendo os rins e, principalmente, o fígado.
Seu uso na medicina tradicional indiana inclui ainda o tratamento de alopecia, malária, helmintíase, diabetes e câncer. Pesquisas recentes investigam seu potencial no crescimento capilar e no tratamento da calvície.
A Embrapa possui publicações sobre a erva botão, incluindo estudos sobre germinação de sementes e crescimento de plântulas, além de caracterização de acessos em bancos de germoplasma, contribuindo para o conhecimento sobre o cultivo e manejo da espécie.
Para o preparo do chá (infusão): 1 colher de sobremesa rasa das partes aéreas secas para cada 1 xícara de água. Aqueça a água até entrar em ebulição, sem deixar ferver, despeje sobre o material vegetal, tampe o recipiente e aguarde 5 minutos. Coe e beba. Recomenda-se o consumo de 3 xícaras ao dia, por períodos de até 2 meses.
Alertamos que aumentar a dosagem recomendada não significa que os resultados serão alcançados com maior rapidez ou eficiência.
A sabedoria das gerações passadas consagrou esta planta medicinal como um remédio de uso tradicional.
Erva Botão
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