Parte aérea seca do Picão _ Bidens pilosus - Peso 30g
Uso Popular: Indicado para o tratamento de icterícia, boca amarga, inflamação hepática e alergias.
Picão – Bidens pilosus
O picão, também conhecido popularmente como picão-preto, erva-picão, amor-seco ou carrapicho, é uma planta herbácea da família Asteraceae, amplamente distribuída nas Américas, Ásia e África. No Brasil, é uma das plantas mais presentes em quintais, beiras de estrada e terrenos baldios, muitas vezes vista como "daninha", mas carregando um dos repertórios terapêuticos mais impressionantes da flora brasileira.
Seu nome popular remete aos frutos espinhosos que se agarram à roupa e aos pelos dos animais, uma estratégia de dispersão que espalhou a planta por todo o mundo tropical.
INDICAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
O picão é uma das espécies mais estudadas da fitoterapia sul-americana. Análises fitoquímicas identificaram em suas folhas, raízes e partes aéreas uma diversidade de compostos bioativos: flavonoides, alcaloides, taninos e compostos fenólicos. Esses constituintes estão associados a um amplo espectro de atividades farmacológicas, que justificam seu uso tradicional em praticamente todas as regiões do Brasil.
Na medicina popular, o picão é tradicionalmente utilizado nos banhos dos bebês logo nos primeiros dias de vida para debelar a icterícia neonatal, o popular "amarelão" ou "tiriça". Os povos indígenas amazônicos utilizam as folhas esmagadas na água para aliviar dores de cabeça e também as aplicam sobre dores de dente. Para hepatite alcoólica e verminoses, são cozidas as raízes da planta.
Estudos confirmam as propriedades antibacteriana, antifúngica, antioxidante e anti-inflamatória do picão. Pesquisas recentes demonstram que extratos da planta modulam a polarização de macrófagos e células dendríticas para um fenótipo anti-inflamatório, confirmando sua ação imunomoduladora. Essa capacidade de regular as defesas orgânicas ajuda a explicar seu uso tradicional em quadros alérgicos e infecciosos recorrentes.
O picão apresenta atividade antiviral e antipirética, sendo indicado em quadros de febre, mesmo nas febres mais altas. Estudos também apontam a capacidade de induzir a morte celular programada em linhagens de câncer. Em pacientes que passam por quimioterapia ou radioterapia, o suco das folhas alivia a inflamação da mucosa intestinal, e nos casos de câncer de reto, extratos da planta demonstraram induzir as células cancerosas à apoptose.
No sistema digestivo, o picão protege o fígado, a vesícula e o estômago. Estudos confirmam sua atividade hepatoprotetora, auxiliando na redução da esteatose hepática (gordura no fígado), aliviando a sensação de boca amarga e atuando em quadros de inflamação hepática ou hepatite. Pesquisas em modelos animais com esteatose hepática não alcoólica induzida por dieta rica em gordura e glicose demonstram que a decocção de picão pode melhorar significativamente o metabolismo lipídico do fígado.
Na área metabólica apresenta propriedades antidiabéticas validadas, auxiliando no controle glicêmico. Também atua como diurético e anti-hipertensivo, fortalecendo a musculatura do útero, favorecendo a menstruação e os trabalhos de parto, além de promover relaxamento das paredes arteriais e consequente redução da pressão arterial.
Externamente, é utilizado para lavar feridas, promovendo rápida cicatrização, e tem indicação em infecções urinárias e vaginais. Considerado uma PANC (Planta Alimentícia Não Convencional), o picão também integra a alimentação de comunidades tradicionais.
A importância do picão é reconhecida oficialmente no Brasil.
A espécie integra a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS) desde 2009, sendo uma das 71 plantas com potencial de gerar produtos de interesse para o Sistema Único de Saúde.
A Embrapa também tem se dedicado ao estudo da espécie, com pesquisas sobre a germinação de sementes e a dinâmica populacional do picão preto em condições de cultivo.
Para o preparo do chá: 1 colher de sobremesa rasa das folhas secas (ou 1 colher de sopa das folhas frescas) para cada 1 xícara de água. Despeje a água fervente sobre as folhas, tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos. Coe e beba morno. Recomenda-se o consumo de até 3 xícaras ao dia, por períodos de até 2 meses.
Para uso externo em feridas: prepare uma infusão mais concentrada com um punhado generoso de folhas em 1 litro de água fervente. Após 10 minutos de infusão, coe e utilize para lavar a ferida, ou faça compressas com um pano limpo embebido no chá morno.
Alertamos que aumentar a dosagem recomendada não significa que os resultados serão alcançados com maior rapidez ou eficiência.
A sabedoria das gerações passadas consagrou esta planta medicinal como um remédio de uso tradicional.
Picão
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