Folhas desidratadas de Guaçatonga/Tiuzinho _ Casearia silvestres - 30g
- Uso popular: quadros de náuseas, gases estomacais e barriga inchada. Tem boa aplicabilidade também na veterinária, nos casos de envenenamento do animal
Guaçatonga – Casearia sylvestris
A guaçatonga, também conhecida como chá-de-bugre, cafezinho-do-mato, erva-de-bugre, erva-lagarto, cura-tombo, tiuzinho ou pau-de-bugre, é uma árvore da família Salicaceae (antiga Flacourtiaceae), que pode atingir até 10 metros de altura.
É nativa da América Latina, com ampla distribuição no Brasil, onde ocorre desde a Amazônia até o Sul, em praticamente todos os biomas Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Amazônia. É uma espécie pioneira, de crescimento rápido, frequentemente encontrada em bordas de mata, capoeiras e áreas de vegetação secundária.
Seu nome popular mais difundido, "guaçatonga", tem origem tupi guaçú (grande) e tonga (dente), possivelmente em referência às bordas serrilhadas de suas folhas.
A espécie é amplamente utilizada na medicina tradicional brasileira, especialmente por comunidades rurais e indígenas, que a empregam para os mais variados fins terapêuticos. A planta também é conhecida no meio veterinário, sendo utilizada por criadores de gado para auxiliar na expulsão da placenta após o parto dos animais.
INDICAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
A guaçatonga integra o Formulário Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, com reconhecimento oficial de seu uso na dispepsia (refluxo gastroesofágico, má digestão), por sua capacidade de diminuir a acidez gástrica e proteger a mucosa do estômago contra a gastrite. A espécie também consta na
Do ponto de vista fitoquímico, as folhas da guaçatonga concentram uma rica diversidade de compostos bioativos. Estudos identificaram a presença de diterpenos. clerodânicos, triterpenos, flavonoides taninos, saponinas, ácidos fenólicos e óleos essenciais. Os diterpenos clerodânicos são apontados como os principais responsáveis pelas atividades antitumoral, anti-inflamatória e gastroprotetora da planta.
Essa composição confere à guaçatonga um amplo espectro de atividades farmacológicas, que justificam seu extenso uso na medicina tradicional. Pesquisas confirmam suas propriedades gastroprotetora, anti-inflamatória, analgésica, antioxidante, antimicrobiana, antiviral, antifúngicaimunomoduladora, antitumoral, cicatrizante e antineoplásica.
Na área da gastroenterologia, a guaçatonga apresenta resultados expressivos. Sua ação gastroprotetora está relacionada à redução da acidez estomacal, ao aumento da produção de muco protetor e à inibição da adesão bacteriana à mucosa gástrica. É indicada em quadros de gastrite, má digestão, azia e refluxo gastroesofágico.
Sua potente ação anti-inflamatória e analgésica a torna indicada em estados febris e em queixas de artrose, esporão, bursite, artrite, tendinite e fibromialgia. Apresenta bons resultados também em dores de ouvido.
Estudos mostram que extratos da planta inibem a produção de mediadores inflamatórios, como prostaglandinas e óxido nítrico, com eficácia comparável a anti-inflamatórios de referência.
No sistema cardiovascular, a guaçatonga apresenta ótimos resultados na diminuição dos níveis de triglicérides e colesterol, sendo indicada em pacientes cardíacos com quadros de aterosclerose. Sua ação hipolipemiante contribui para a redução do risco cardiovascular.
Em pesquisas sobre câncer, estudos comprovaram que o uso da guaçatonga impede o ciclo de multiplicação celular cancerígena e ativa as células NK (natural killer), que são responsáveis por eliminar células tumorais. Essa atividade antitumoral tem sido investigada em diferentes linhagens celulares, com resultados promissores.
A planta também apresenta ação diurética, depurativa e é utilizada em casos de diarreia. Na medicina popular, suas folhas são empregadas em quadros de sífilis.
Externamente, na forma de emplastro, pomada, gel ou banhos, a guaçatonga é extremamente eficiente na cicatrização de feridas abertas, hematomas, úlceras, herpes, queimaduras de até 2º grau, erupções cutâneas, eczemas e vitiligo.
Extratos de suas folhas foram comprovadamente mais eficientes que o medicamento convencional no tratamento de feridas de pele provocadas pela leishmaniose, com uso interno e externo (banhando as feridas com o chá das folhas). Em crises de herpes labial, a pomada ou gel aplicado topicamente, associado ao extrato internamente, mostrou-se mais eficiente que o Aciclovir. A planta aumenta a produção de fibras de colágeno, que confere proteção e acelera o processo cicatricial.
Estudos com doses letais demonstraram ação inibitória da guaçatonga sobre o veneno de cobra, diminuindo a ação anticoagulante das enzimas tóxicas e neutralizando o efeito letal — embora o melhor remédio para picada de cobra continue sendo o atendimento hospitalar imediato.
No Brasil, a Embrapa possui estudos sobre a espécie, incluindo pesquisas sobre sua ocorrência, potencial madeireiro, anatomia da madeira, estrutura da casca e aspectos ecológicos. A planta é objeto de investigação em diversas universidades brasileiras, que buscam validar cientificamente seu uso tradicional e explorar seu potencial farmacológico.
Para o preparo do chá: 1 colher de sobremesa rasa das folhas secas para cada 1 xícara de água. Despeje a água fervente sobre as folhas, tampe e deixe em infusão por 5 a 10 minutos. Coe e beba. Recomenda-se o consumo de até 3 xícaras ao dia, por períodos de até 2 meses.
Para uso externo (compressas, lavagem de feridas ou banhos): prepare uma infusão mais concentrada com um punhado generoso de folhas em 1 litro de água fervente. Após 10 minutos de infusão, coe e utilize morno, aplicando sobre a região desejada com um pano limpo ou gaze, ou em banhos de imersão.
Alertamos que seu uso é contraindicado durante a gestação e a lactação, pois pode estimular a musculatura uterina e interferir na saúde do bebê. Pessoas em uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários devem evitar o consumo ou fazê-lo apenas sob orientação médica, pois a planta pode potencializar o efeito desses medicamentos.
Aumentar a dosagem recomendada não significa que os resultados serão alcançados com maior rapidez ou eficiência.
A sabedoria das gerações passadas consagrou esta planta como um remédio da natureza. Este produto é um fitoterápico de uso tradicional.
Guaçatonga
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