Entrecasca secas de Barbatimão - Stryphnodendron barbatiman - Peso 60g
- Em uso externo: cicatrizante, para lavagem íntima contra corrimento.
Barbatimão - Stryphnodendron barbatiman
O barbatimão é uma árvore típica do bioma Cerrado, com altura de 4 a 5 metros, encontrada em solos arenosos desde o Pará até São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Pertence à família Fabaceae (Leguminosae) e é uma das espécies mais emblemáticas da flora medicinal brasileira. Seu nome deriva do termo indígena "Iba Timo", que significa "árvore que aperta", uma referência direta ao seu forte poder adstringente.
Foi muito utilizada na indústria de curtumes e, antigamente, era procurada por prostitutas, daí o nome popular "casca da virgindade". Suas cascas produzem matéria tintorial vermelha que, quando precipitada convenientemente, era utilizada na fabricação de tinta de escrever.
INDICAÇÕES E RECOMENDAÇÕES
As entrecascas caulinares secas de barbatimão, são a parte da planta mais utilizada medicinalmente. A espécie integra o Formulário Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, com monografia estabelecida para correta identificação, pureza e dosagem, e consta na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao Sistema Único de Saúde (RENISUS) desde 2009.
Do ponto de vista fitoquímico, a casca do barbatimão é extremamente rica em taninos além de alcaloides, amido, flavonoides, saponinas, triterpenos e ácidos fenólicos. Os taninos condensados são apontados como os principais responsáveis pelas propriedades adstringentes, cicatrizantes e antimicrobianas da planta. Essa composição confere ao barbatimão um amplo espectro de atividades farmacológicas, que justificam seu extenso uso na medicina tradicional brasileira, especialmente entre comunidades indígenas e quilombolas.
Pesquisas confirmam suas propriedades cicatrizante, adstringente, anti-inflamatória, antimicrobiana, antisséptica, analgésica, anti-hemorrágica e antioxidante. A propriedade mais reconhecida do barbatimão é sua ação cicatrizante. Estudos demonstram que extratos da planta aceleram o processo de cicatrização de feridas cutâneas e mucosas, modulando a resposta inflamatória, favorecendo o recrutamento e a ativação de fibroblastos e promovendo a regeneração tecidual. É indicado em feridas abertas, úlceras cutâneas, queimaduras e lesões de pele de diversas origens.
O barbatimão também apresenta excelente atividade antimicrobiana. Estudos demonstram eficácia contra bactérias gram-positivas como Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Streptococcus mutans e Enterococcus faecalis, além de ação contra biofilmes de bactérias anaeróbias. A atividade antifúngica é igualmente expressiva, com eficácia contra Candida albicans, C. tropicalis, C. glabrata e Cryptococcus neoformans.
Na medicina popular, o barbatimão é amplamente utilizado no combate a corrimentos vaginais (leucorreia) e catarros na uretra, com eficácia comprovada contra infecções geniturinárias, especialmente a candidíase vulvovaginal recorrente.
É também empregado em dores de garganta, inflamações da gengiva e infecções dentárias. Os dentistas indicam seu uso em casos de inflamação gengival, cicatrização após extrações dentárias e no tratamento de bolsas periodontais, sempre na forma de bochechos. Apresenta ainda ação anti-hemorrágica e antisséptica em processos de sangramento e hemorragias.
É importante ressaltar que não indicamos seu uso interno devido à grande concentração de substâncias adstringentes, que ingeridas em excesso podem provocar colabamento, ou seja, as paredes dos intestinos podem perder a proteção das mucosas e entrar em contato umas com as outras, "colando-se" e bloqueando os intestinos. Normalmente, o barbatimão é utilizado na forma de banhos, pomadas, géis e pó aplicado diretamente sobre as partes afetadas.
A Embrapa possui publicações e estudos sobre o barbatimão, incluindo pesquisas sobre sua ocorrência, potencial madeireiro e uso na medicina popular. A espécie é objeto de investigação em diversas universidades brasileiras e instituições como a Fiocruz.
Para uso externo (compressas, banhos, lavagem de feridas): prepare uma decocção com um punhado generoso de cascas em 1 litro de água. Coloque as cascas na água fria, leve ao fogo e deixe ferver por 10 a 15 minutos. Desligue o fogo, tampe e deixe descansar por mais 5 minutos. Coe e utilize morno, aplicando sobre a região desejada com um pano limpo ou gaze, ou em banhos de imersão.
Para bochechos: prepare a mesma decocção, coe e utilize morno, fazendo bochechos várias vezes ao dia.
Alertamos que o uso interno do barbatimão é desaconselhado devido ao alto teor de taninos, que podem causar irritação da mucosa gastrointestinal e obstrução intestinal.
Aumentar a dosagem recomendada não significa que os resultados serão alcançados com maior rapidez ou eficiência.
A sabedoria das gerações passadas consagrou esta planta como um remédio da natureza. Este produto é um fitoterápico de uso tradicional.
Barbatimão
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