Minas Gerais e Orléans: Olhares Cruzados no Caminho de Saint-Hilaire (capítulo 5)



Miolo - MINAS GERAIS E ORLÉANS - 23 08 2021 - para web
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A serventia das plantas Vamos imaginar Auguste de Saint-Hilaire, lá pelos idos de 1817, em seu caminho por essas bandas de cá, saindo do antigo Arraial do Tijuco, até Conceição, passando pela Vila do Príncipe... parte do que hoje “batizamos” como Caminho Saint Hilaire. A paisagem vislumbrada por ele mudou muito. Afinal, já faz mais de 200 anos que o naturalista percorreu a região. Mas nem tudo mudou... Ainda há locais intactos e, porque não dizer, imaculados, com toda a sua exuberância natural. Uma belíssima paisagem de campos e cerrados rupestres onde plantas crescem em meio aos afloramentos rochosos. É certo que esses vegetais não são altos e frondosos como aqueles encontrados nas florestas tropicais. Apesar disso, as plantas dos ambientes rupestres apresentam uma beleza peculiar: flores coloridas, cascas grossas, galhos retorcidos, folhas espessas como couro, ou estreitas – para perderem menos água. Essas são adaptações desenvolvidas ao longo de centenas de milhares de anos para garantir melhor sobrevivência e sucesso nesse ambiente hostil. Sim, hostil. Há períodos prolongados de seca; o solo é pobre em nutrientes e pouco profundo para as raízes se desenvolverem; há muitos predadores que se alimentam de vegetais como fungos, bactérias e vírus; existe a ocorrência de fogo de origem natural devido a uma combinação de mato seco e raios atmosféricos...

As plantas desses ambientes hostis apresentam muitas adaptações para sobreviver e interagir com o entorno. Essas adaptações, que muitas vezes não são visíveis aos nossos olhos, incluem a produção de substâncias químicas especiais e muito específicas, de restrita distribuição na natureza. Algumas dessas substâncias podem ter sabor ou cheiro desagradável, para afastar os herbívoros ou serem tóxicas para parasitas e predadores. Outras protegem os tecidos vegetais da radiação solar, que causa danos à vida.

Há, ainda, substâncias que servem para atrair abelhas, outros insetos e animais polinizadores, que possuem importante função para reprodução de plantas, favorecendo a continuidade da espécie vegetal no espaço e no tempo. Substâncias que atraem animais normalmente são coloridas, se concentrando nas belas flores de vegetais dessas formações rupestres; outras têm cheiro que atraem certos agentes polinizadores e dispersores de frutos e sementes.

A Natureza vem desenvolvendo seus experimentos: as plantas produzem certas substâncias consideradas adaptativas ou favoráveis àquele ambiente e momento... E assim chegamos a uma vasta quimiodiversidade (diversidade química) que se traduz também em biodiversidade (diversidade de vida). Nessas bandas de cá, pelo Caminho Saint Hilaire, a biodiversidade e a quimiodiversidade da vegetação são imensas! O ser humano, que é parte desse ambiente, utiliza várias das plantas que contém tais substâncias químicas. A riqueza de conhecimento acumulada por populações indígenas, tradicionais e comunidades locais sobre o uso de plantas medicinais foi descrita por Saint-Hilaire e hoje é uma ferramenta de investigação científica, etnobotânica e etnofarmacológica. Ou seja, estudamos as plantas e as formas como elas são utilizadas pelo ser humano, como os chás, garrafadas e banhos, dentre outras formas de uso. Esses preparados com essa ou com aquela raiz ou folhas, ou cascas, ou frutos nos ajudam a suportar determinada dor ou a tratar uma infecção ou outras doenças e, ainda, prevenir outros males à saúde.

Neste capítulo, escolhemos algumas plantas medicinais que ocorrem entre Diamantina, Serro e Conceição do Mato Dentro, com as quais Saint-Hilaire teve contato no século XIX. Elas foram interlocutoras em uma primeira parte deste texto, na forma de um conto: “Tem plantas medicinais nos caminhos de Saint-Hilaire...”. No conto, o Auguste de Saint-Hilaire aparecerá como “Seu Augusto”, um jeito brasileiro e carinhoso de nomeá-lo. Voltamos ao passado e tentamos nos colocar no lugar desse ilustre naturalista. Buscamos retratar, por meio de muita imaginação e leitura de suas obras – seus diários de viagens, como ele conheceu e descreveu essas plantas nativas e seus usos medicinais tradicionais. Imaginamos que, para tal tarefa, ele teria contado com o apoio de gente daqui, como Nhô Chico, que o acompanhava na viagem. Na segunda parte, apresentamos as plantas medicinais citadas ao longo do conto, fornecendo informações de como Saint- Hilaire descreveu os seus usos pela população à época e dados científicos recentes sobre a ação dessas plantas como remédio. Por fim, é importante registrar que na abertura deste capítulo, utilizamos desenhos da obra “Plantas Usuais dos Brasileiros”, de Saint-Hilaire, escrita em 1824, traduzida para o português e publicada em 2009 no Brasil. As fotografias utilizadas neste capítulo foram gentilmente cedidas por Marcos Guião e Danielle Piuzana Mucida.

Tem plantas medicinais nos caminhos de Saint-Hilaire...

Marcos Guião

O sol já tava alto quando finalmente conseguimos dar saída do Arraial do Tijuco com nosso pequeno cortejo serpenteando por entre as ruas e vielas. As pedras arranjadas caoticamente no piso dificultavam o início daquela que seria uma das viagens mais marcantes de toda a minha existência.

A comitiva se compunha do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, seu criado Prégent, o muladeiro João Moreira, além do índio botocudo Firmiano. Eu, Nhô Chico, tava atendendo a um pedido do intendente Câmara, poderoso senhô destas terras de diamantes, pra conduzir em segurança o grupo no trecho do Arraial do Tijuco até Conceição, passando pela Vila do Príncipe, que distava pouco mais de 10 léguas.

Essa era a melhor oportunidade pra prosear com o francês afamado de ser conhecedor da natureza, já que por vezes sem conta gente homem e mulher me solicitavam remédios do mato pra uma tanteira de padecimentos.

Os animais da tropa foram escolhidos a dedo pelo intendente, e aquela égua baia de passo certeiro e macio acomodava seu “Augusto” por demais. Outros dois cavalos de passo mais pesado levavam Prégent e Firmiano, eu montava a mula Formosa e mais duas mulas de carga completavam a tropa carregando a tralha de viagem, composta principalmente das broacas que acomodavam as coletas realizadas no caminho. O João ia a pé fechando o cortejo e zelando dos animais. O francês num era alto, mas tinha uma elegância natural pra se manter em cima do animal; parecia que tava num desfile. Mesmo sob aquele sol escaldante ele num dava nenhum sinal de esmorecimento, e debaixo do chapelão nada escapava ao seu olhar de minúcias protegido por grossas lentes. Era só topar com uma florzinha atoinha ou um besouro avoando, que parava-se tudo, dando início a fadiga de amarrar os animais, cavucar uma planta aqui, dá buscação de um bichinho acolá, sempre na faina de fazer os amarrados das amostras recolhidas sem descaprichar com nadica de nada.

Ele gostava de conversar e foi só dar início na prosa, falando de meu interesse nas medicinais, que ele logo comentou que “em uma região onde não há médico, quase todos os homens idosos são botânicos e naturalistas”. Daí em diante me senti no inteiro e à vontade pra palpitar, apontando as plantas que conhecia, sempre me preparando para depois responder uma infinidade de perguntas, tudo devidamente anotado na sua inseparável caderneta.

Na saída do Arraial do Tijuco ainda tinha um bocado de gente indo e voltando das áreas de serviço esparramadas pela região. A derrubada das matas para retirada de lenha, o fogo colocado no constante, além da proximidade com aquela montoeira de gente, associado ao grande trânsito de animais, arruinou uma grande área do entorno do arraial e aquilo aos poucos foi mudando a paisagem. Daí ele explicou que quando se dá uma bulida na natureza daquele tamanho, isso provoca o brotamento de algumas espécies que sempre mostram que o lugar tá muito mexido, surgindo daí plantas desbravadeiras, aquelas que dão conta de dar saída em lugar desfavorável, abrindo caminho para outras que carecem de um terreno com mais recursos.

E foi justo nessa área que topamos com a Lobeira (Solanum lycocarpum), uma arvoreta que aparenta fragilidade, de folhas disfarçadas por uma penugem que lhe dá uma coloração esbranquiçada.

As flores são pontiadas aqui e acolá, enfeitando sua copa de um azul profundo, e os frutos grandes como um abacate, tamém são recobertos dessa penugem. Dei sentido de que os frutos são mais utilizados na medicina caseira e na tentativa de coletar um deles a coisa ficou feia, pois seus recatados espinhos dispersos pelas folhas e galhos invariavelmente se prendem na roupa do vivente e só a poder de muito jeito ou safanão o cabra se livra do agarramento despropositado.

Depois de vencer essa canseira e de ele coletar suas amostras, deu-se de perguntar seus usos. Expliquei que os frutos mais maduros são ralados e a massa apurada é levada prum cozimento rápido e depois se junta a banha da capivara ou de porco. Essa pasta formada é um ótimo remédio pra aplicação em calcanhar rachado, sofrimento muito comum no período da seca naqueles que andam descalços ou de sandália. Os frutos aquecidos também têm aplicação diretamente sobre feridas, perebas e furúnculos. Me alembrei ainda que as entrecascas da lobeira podem ser raspadas e aplicadas no umbigo da bezerrada nova pra evitar inflamação.

Quando falei da possibilidade de uso do polvilho preparado com os frutos, aí a admiração se estampou em seu rosto e com os olhos arregalados soltou a primeira pergunta: “E com qual serventia?”. – A indicação é pra essa gente que tem o sangue doce, derivando a dificuldade em cicatrizar qualquer feridinha ou reclamação de dor e queimação no estômago. “E como se prepara este polvilho?”. – Bom, de premeiro tem de se colher os frutos ainda verdolengos, que devem ser ralados. Essa pasta apurada precisa ser lavada e a água leitosa obtida é reservada numa gamela. É bom deixar descansar sem bulir na vasilha, até que a água fique limpa por cima e no fundo se junte um porme bem fino. Em seguida tem de escorrer devagar a água, levando o polvilho depositado no fundo para secar direto no sol. Se forma aí tipo umas placas que devem ser quebradas para se obter um finíssimo porme acinzentado. Tá pronto seu polvilho.

“Tem outras partes da planta que são utilizadas?”. – As flores têm serventia no preparo de um bom xarope pro tratamento de tosse de catarro, resfriado e até gripe.

Eu tava inté gostando daquele proseio, e pra esticar um pouco disse que os frutos podem ser comidos de colherada ou então se fazer uma boa geleia. Com aqueles olhos interrogativos me encarando por riba dos óculos, nem precisou da pergunta que a receita já saiu inteirinha: vamos precisar de açúcar, limão e só vai prestar se os frutos tiverem maduros, senão o doce fica apertento. Tem de tirar a casca e as sementes do fruto e bota a polpa apurada com um tiquinho de água num tacho até levantar fervura. Daí é preciso passar numa peneira de palha fina, acrescentando para cada prato de massa metade de açúcar. Tem de misturar tudo e acrescentar meio copo de suco de limão e umas casquinhas pra dá um gostinho diferençado. Por fim volte tudo pro fogo mais uns vinte minutos ou até meia hora pra que ela fique pronta, lembrando que o paladar sempre é mais puxado pro azedinho. Foi assim que deu-se o início da nossa amizade na jornada até o pequeno arraial de Conceição. A partir daí num tive mais paz, pois a todo momento fui perguntado da serventia de tudo que é planta. O Seu Augusto era homem muito estucioso e fazer parceria com ele foi deveras um presente. Dando seguimento na andança, se demos com uma descida arrumada e lá de cima dava pra ver o Ribeirão do Inferno com suas águas escuras serpenteando por meio das pedras e alguns pequenos bancos de areia, com o serviço correndo solto nas berolas.

O risco de um trupico ou queda em terreno tão escôncio era grande e o cuidado maior tava focado no resguardo dos animais para que não escorregassem em meio ao trilho enlameado do sobe e desce dos mineradores e mercadores trazendo suas especiarias ao arraial. Esse trânsito intenso de animais deu uma travada no ritmo da jornada, pois tinha uma tanteira de mula que se empacavam e até dar convencimento aos animais de seguir viagem era um sufoco. Por isso tudo a travessia do Ribeirão era dos Infernos!

Aos poucos fomos vencendo o trecho e num tardou pra dar reparo que por ali grassava dum lado e doutro da estrada uma tanteira de Arnica (Lychnophora sp.). Fiquei cismando essa coincidência do risco de uma queda e suas consequências, com aquele roçado imenso de uma planta que cura justamente o que o ladeirão travessado por uma montoeira de corguinhos podia provocar. Só podia ser providência divina. Dei ciência dessa cisma ao francês e ele ouviu calado, mas num deu sinal de dar prestígio a nossa Arnica. Talvez seja derivado de que por lá, nas terras dele, devesse ter outra planta que também tivesse esse nome com o mesmo serventuá, mas bem deferente no jeito de se apresentar. Engano meu, pois num delatou minutos e ele deu ponto de coletar amostra pra juntar nos seus guardados. Enquanto ele e seu ajudante Prégent se davam ao trabalho de cortar, dispor e embalar, destrambelhei a falar sobre as serventias dessa Arnica, que por ali muitos usavam nos casos de machucão, torção ou contusão. Mal acabei de falar e o muladeiro João se animou pra dar o testemunho de ter tomado um coice bem no meio dos peito há alguns meses atrás, e o que lhe valeu por demais na recuperação do machucão foram os banhos e compressas preparadas com a Arnica. Seu Augusto tirou a caderneta de anotações e danou- se a rabiscar um bocado lá dentro e ficamos por ali na espera pra seguir adiante. Paciência era palavra que ele vivia nos pormenores, com absoluta falta de açodamento. Afinal ele havia despencado lá dos estrangeiro pra chegar até aqui e fazer aquilo que tava fazendo. Então tinha de sê bem feito e assim ele fazia. Num tardou e a tropa rompeu adiante, agora topando um morro arrumado pela frente. Aquilo deu canseira, pois pra num lesar com os bichos, apeamos e fomos puxando os animais morro acima, pulando de pedra em pedra prá num escorregar no Barro Amarelo, lugar que a lama garrava no fundo da bota e era difícil de sair com ela ainda no pé. Quando finalmente chegamos no tope daquele absurdo de morração que o francês teimava em chamar de “outeiro”, se demos num campo fechado de Macela do Campo (Achyrocline satureioides) e daí o encantamento foi certeiro, Parte II: O Caminho Natural e Medicinal 97

bem no coração. Pra tudo que é lado de se olhar era Macela na flor, soltando seu perfume recatado e lavando nossos olhos, emprestando sua belezura dourada refletida pela luz do sol. De sua folhagem discreta de coloração verde esbranquiçado brotava a formosura da florada alourada que só se aloja nas gripas das grandes alturas das serras. Macela do Campo Em mais uma parada, atentei que a aparência ressecada das flores esconde o aroma doce que enche as narinas do vivente. Seu Augusto já tava de caderneta na mão me inquirindo sobre as serventias da Macela e de primeiro me alembrei de falar que suas flores são colocadas nos travesseiros carinhosamente preparados pra descansar a cabecinha dos recém-nascidos e tamém dos marmanjo. Essas mesmas flores que encantam os olhos, também ajudam quando o caso é de dor de qualquer qualidade, cuidando da gripe, daquele desconforto de comer um trem e ficar no enjoo, dando até estufamento da barriga. Mas como o gosto do chá puxa pro amargoso, aquilo dá ânimo e força pro doente. “Você usa ela pra mais alguma coisa?” Matutei um tiquim e me alembrei que já tinha visto gente lavando a cabeça da meninada infestada de piolho. Fica um perfume gostoso e dá bão resultado. Num pude deixar de contar prele que pra doença de mulher num tem igual. Chega ser tida como milagrosa, pois facilita as regras, diminui as cólicas e acalma os incômodos nesse período da vida da mulherada. Minha dona era o “cão chupando manga” de tão arretada que ficava no tempo das regras. A coisa lá ia de mal a pior, pois eu dormia com uma mulher e me acordava com outra. Só de olhá pra ela o mundo se acabava. Quem que guenta um trem desses? Foi quando soube desse serventuá da Macela e mesmo desconfiado apreparei um vinho com as flor. Ela tomou por uns três meses, tempo suficiente pra ir se dando desaparecimento daquela angústia, amiudando a nervosia, reavendo uma alegria que tava escondida. Hoje ela tá boazinha, conversadeira e eu mais ainda de num ter de lidar com aquele carrancismo mensal. Nos caminhos da estrada aos poucos foi se escasseando o povão que se amontoava pelas trilhas e demos de ficar mais tranquilos pra seguir adiante sem muito tumulto que sempre acompanha multidão. Num descampado que ladeava a trilha, Firmiano provocou um fogo e Seu Augusto saiu de lado prá se agarrar com suas anotações. Com o fogo já lavorando, o café saiu ligeiro e tirei de meu embornal a farinha de milho e a rapadura, misturamos tudo pra aprontar a Jacuba. A alegria vem das tripas, né mesmo? Com a barriga cheia, nosso pequeno grupo deu foi risada com a contação de causos, mas de repentemente arribei os olhos pro céu, e com o tempo se fechando nos levantamos no susto e tocamos em frente buscando evitar uma chuvada no lombo.

Já montados nos animais, logo adiante se mostrou um capão de mato descendo pelo espigão, dando sentido de que ali corria uma aguada. Desgarrei da tropa e ainda de longe dei de ouvir a verteção caprichosa duma água fria brotada naqueles altos. Depois de matar a sede, lavei o rosto e dei atenção de que logo abaixo a mata se abria para dar lugar a um pequeno banhado, onde uma imensa quantidade de Carqueja (Baccharis trimera) tomava conta. Achei que deveria dar sentido do achado ao Seu Augusto e de longe abanei as mãos de modo como que pedindo socorro. Ele era um cabra dos mais reparoso que já conheci, e num tardou um tim já se acercou inquirindo qual era a planta, onde tava, sua valença e por aí se foi.

Aquilo já tava virando festa e daí quem se deu de ficar em calma fui eu. Me assentei num lajedo e dei começo na reparação do jeitão diferençado da Carqueja, pois ela é só uma varinha arrodeada por três asinhas e seu lugar de achado é ali, nos recantos brejosos. Variei um pouco e disse que a água é companheira do sangue e pro isso a Carqueja tem a força de ser depurativa. O francês me cortou a fala e perguntou